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Por: Marco Antonio Chaves - Instrutor do Senar

 

O cavalo: O cavalo é empolgante e o mais belo animal utilizado pelo homem. Depois de domesticado, tornou-se rapidamente um "membro" importante da nossa sociedade. Podemos utilizar os cavalos como meio de transporte, para praticar e competir em várias modalidades esportivas, ou mesmo como animal de estimação. O fato é que esses animais estão na Terra há milhões de anos, servindo à humanidade. Estando montado num bom animal, transmite-nos uma sensação de liberdade, de poder, de superioridade e de prazer. Através dos cavalos, conseguimos transpor barreiras e ultrapassar limites que o corpo humano jamais conseguiria sozinho.            O cavalo foi consagrado pelos poetas como símbolo da nobreza, da bravura e instalado em todas as épocas da História, com monumentos grandiosos. Ele inspira paixão aos que o possui, admiração, cobiça e inveja aos que não podem, ou não conseguem tê-lo. O homem verdadeiramente amante do cavalo: é aquele que descobriu neste ser, a sua própria sensibilidade.Manejar um cavalo é incomparavelmente mais difícil e mais interessante do que guiar um automóvel. O cavalo é um ser vivo sensível, dotado de vontade própria, de personalidade, de iniciativa e não uma máquina simples, passiva, que corresponde no instante o nosso comando.

Confiança: A confiança absoluta do cavalo em seu cavaleiro é a condição indispensável para um bom resultado. O cavaleiro deve conhecer bem as qualidades físicas temperamentais do seu cavalo e o tratar de acordo com suas aptidões. É fundamental observar atentamente a individualidade de cada animal. Suponho que será mais fácil corrigir os defeitos de constituição, de que de temperamento. As primeiras impressões que o cavalo tem com o homem são decisivas, fundamentais e duradouras. O bom cavaleiro tem que ser quase um psicólogo, para perceber e entender as sensações e reações do cavalo, seu parceiro.

Os sentimentos do cavalo: O cavalo é muito sensível e medroso! Mas afinal, porque tanto medo? Bem, se formos analisar as características dos cavalos, veremos o porquê de tanto medo. Em relação à estrutura do nosso corpo e de qualquer cavalo, veremos que nossa cabeça está encima do nosso corpo inteiro e, dos cavalos, após a cabeça, existe mais de 1 metro de corpo para trás! É muito natural que o cavalo sinta medo. Em relação a sua visão. O olho do cavalo é bi-focal e semi-lateral. O ponto cego da vista do cavalo é a parte traseira. Por isso, nunca devemos nos aproximar de qualquer cavalo por trás, sem termos a certeza que estamos sendo vistos.        E a audição, o ouvido do cavalo, é muito mais sensível do que o nosso! Quanto mais baixo falar com o cavalo, mais ele se concentrará para ouvir o que você quer que ele faça. A função tátil do cavalo é pela boca! Como os cavalos têm medo de nossas mãos, é necessário primeiramente, reproduzir a linguagem corporal do cavalo somente com a cabeça. Devemos nos lembrar que, os cavalos não focalizam rapidamente qualquer objeto que esteja em frente deles. Devemos sempre levar nossas mãos muito lentamente até eles, de baixo para cima. Quanto mais conviver com o seu cavalo, mais ele confiará em você.

4.6- O cavaleiro deve desenvolver sua sensibilidade e afinidade com seu cavalo, nunca deixe que outro arreie e desarreie para você, assim irá conhecer seu cavalo, como apertá-lo, como colocar a sela, o freio etc. Se você puder lavá-lo, raspá-lo, dar a comida e sempre conversando, irá certamente criar uma afinidade.

Quando montado, o cavalo certamente irá obedecer melhor seu comando. A dosagem e a intensidade de ajudas dependem do temperamento e da sensibilidade de cada animal.

Sempre lembrar, que cada animal, é um ser diferente como somos nós. Não existem dois cavalos iguais, com o mesmo temperamento e a mesma índole.

Comportamentos do cavalo: É preciso prestar atenção ao lidar com os cavalos, os vícios depois de já adquiridos, podem ser muito difíceis de serem corrigidos.      O comportamento indesejável, ou antinatural dos cavalos, pode assumir muitas formas diferentes, tais como: desobediência, agressividade ou tiques nervosos. Geralmente, os vícios tendem a se manifestar em cavalos mais jovens, quando eles estão sob treinamento intensivo e vivendo em confinamento. Podemos classificar os problemas comportamentais em dois grandes grupos: os problemas de comportamento que incluem agressão e depressão; e os vícios de cocheira, que incluem padrões de comportamento repetitivo e problemas gerais de manejo.

Agressão

Muitas vezes somos nós,  os responsáveis por esta atitude do cavalo, pois é  sua forma de defesa, quando entramos em sua baia, muitas vezes ele dá coice, tenta morder e até investe contra a pessoa. Normalmente é devido aos maus tratos ou por um manejo inadequado. Em todas às raças, existem animais de má índole e que necessitam de um manejo diferenciado e muitas vezes, por falta de experiência do tratador ou mesmo do proprietário, agimos de uma forma de igualdade de tratamento, sem perceber que este animal precisa de mais carinho, mais jeito, estudando e respeitando o seu caráter.

Depressão

A depressão é associada à doença, dor, ou a distúrbios psicológicos. Os cavalos reprimidos apresentam grande redução na atividade, tornando-se apáticos frente a alimentos e a outros estímulos. O cavalo deprimido tende a se manter isolado, numa postura relaxada e cabisbaixa. Alterações significantes de meio-ambiente, ou redução de atividades estimulantes como: O encocheiramento excessivo pode causar depressão. O manejo moderno, tende a manter cavalos isolados em baias, com uma alimentação rica em energia, pobre em fibras e desocupados por muitas horas, sem quaisquer estímulos externos. Assim, os vícios surgem para tentar suprir as três maiores necessidades instintivas dos cavalos: Liberdade, pastejo e movimentação.

Equitação: A equitação é uma extraordinária escola de formação do homem, pois dia a dia ensina o homem a dominar-se, a manter-se frio e desperto perante o imprevisto e a unir ou recompensar dentro do mais elevado espírito de justiça.      Cada homem, cada cavalo, tem características físicas e psíquicas, que tornam extraordinariamente aptos para executarem certos exercícios e outros praticamente inatingíveis. Ao adquirir-se um cavalo, deve-se ter em atenção o porte físico e psicológico para o fim que se pretende. O cavalo acaba mostrando o caráter, a sensibilidade, o estado de espírito e às vezes, a real personalidade de um homem, pois ele passa a ser o reflexo de seu cavaleiro, ou tratador.   O cavalo ideal para o indivíduo, deve ser escolhido de acordo com o que se pretende para marcha, cavalgada, provas funcionais e principalmente o seu porte, que deve ser compatível com quem vai montá-lo. Pois o cavalo é como o homem, difere de indivíduo para indivíduo. O cavalo tem o poder de sentir o estado psicológico do cavaleiro, pois é um extraordinário amplificador do seu estado de espírito. Com a sua sensibilidade apuradíssima, o cavalo apercebe-se rapidamente do estado de inquietude, de nervosismo, de medo, de falta de determinação, ou de querer de seu cavaleiro, pensando de imediato em impor a sua vontade. Ora, o cavaleiro não pode ter o cavalo calmo, se ele próprio não estiver calmo. Só na calma o cavaleiro poderá ter seus sentidos despertos, para agir com precisão em seus comandos. Os princípios da equitação são imutáveis, os métodos não. Não a métodos perfeitos de ensinamentos, nem para o cavalo nem para o cavaleiro. A arte está em ir buscar aos métodos, os conceitos e, exercícios apropriados para obter as melhores performances daquele cavalo, para aquela modalidade desejada. Antes de montar, o cavaleiro deve ter a consciência plena daquilo que o cavalo sabe fazer e a partir daí, ver o que poderá dentro da lógica e do bom senso, confirmar ou pedir de novo ao cavalo. É importante procurar a perfeição na execução de um exercício simples, antes de passar à execução de um exercício mais complicado. Ai, é que entra o conhecimento e a sensibilidade do cavaleiro. Ex: Querer ensinar o cavalo recuar, antes de ensiná-lo o esbarro.

Conceitos:As regras básicas da Equitação objetivam educar e adestrar um cavalo, tornando-o calmo, flexível, obediente e com movimentos agradáveis, o que fará da Equitação um prazer.

Os princípios da Equitação são fixos, mas não exigem regras absolutas para o caminho a seguir. O cavalo ensina ao homem o domínio de si mesmo. Ensina e aperfeiçoa a lógica e a faculdade de penetrar no pensamento e nas sensações de outro ser vivo.

Acalmar e tranqüilizar

O ideal é montar o cavalo que por condicionamento, fique imobilizado e sair ao passo com rédeas soltas, para descontração do cavalo e do cavaleiro. Falar com o cavalo, o cavalo possui excelente audição, a voz do cavaleiro acalma, dá confiança, segurança e tranqüilidade ao cavalo. A voz exerce uma influência fundamental na equitação e no manejo dos cavalos. Ela tanto pode excitar, como acalmar o cavalo. Quando aproximares de um cavalo, chame-o pelo nome. Quando você estiver domando um potro, ou adestrando um cavalo, permita que ele aprenda através do reflexo condicionado positivo, ou seja, gratifique após a realização de um fato correto, ao invés de punir os erros, só assim você poderá ter um animal dócil e tranqüilo.A descontração é muito importante na equitação, pois ela distende os músculos e é fundamental ao cavalo e ao cavaleiro, inclusive para obtenção tão necessária e desejável -  UNIDADE CAVALO-CAVALEIRO.  Para modelar, precisamos da massa mole. A descontração é indispensável também à estética. Um cavaleiro pode ser deselegante e descontraído, mas jamais será elegante se não estiver descontraído. A forma correta de conseguir esta postura é praticar com freqüência a equitação, fazer ginásticas, alongamentos que favoreçam a elasticidade das pernas e a rotação dos joelhos etc.

Obediência

Devemos condicionar o cavalo a imobilidade desde a doma, ao se tirar o cabresto, ao montar, ao retirar o freio, antes de apear e etc. Um potro condicionado com essas práticas, não esquecerá pelo resto da vida e proporcionará conforto e segurança ao cavaleiro.

Antes de tirar o cabresto, deve-se passar o cabo deste ao pescoço do cavalo e somente retirá-lo no momento em que o animal estiver imóvel. Ao retirar o freio, à mesma prática e nunca permitir que o freio bata aos dentes. Ao montar e ao apear, condicionar o animal a ficar imobilizado. Para apear é mais fácil, ele facilmente compreenderá que ficando imóvel, se livrará do cavaleiro.

Equilíbrio

O equilíbrio é da maior importância no cavalo. Um cavalo desequilibrado será sempre desconfortável ao cavaleiro e a ele próprio. Além da herança genética, vários fatores contribuem para que um cavalo seja equilibrado e balanceado. Bons aprumos, a colocação da sela ou arreio no centro de gravidade, nunca colocar a sela totalmente em cima da cernelha com as abas prendendo as espáduas, isto tira a mobilidade de ação da mesma com os braços. O centro de gravidade do cavalo marchador é ligeiramente mais para trás do que nos animais de trote. Lembre-se que, você precisa se adequar ao centro de equilíbrio do cavalo marchador, deixando mais leve seus anteriores. A embocadura deverá ser adequada a cada tipo de animal, observar o apoio que a mesma dará ao animal. Uma embocadura severa e usada por um equitador sem experiência, também causa desequilíbrio ao animal, tanto atrapalha o andamento como pode levar o animal a sofrer a tropeções e até mesmo quedas.

A Sela: A escolha do arreamento mais indicado dependerá exatamente da finalidade do uso do eqüino. Outros fatores a serem considerados é o porte do cavaleiro e do próprio animal, em termos de sua altura e peso e estrutura corpórea do animal. É praticamente impossível encontrar no mercado uma sela que se encaixe adequadamente em todos os eqüinos, mesmo sendo estes pertencentes a um mesmo agrupamento étnico. O ideal seria que cada sela fosse fabricada sob medida para cada cavalo, determinando-se somente o tamanho do assento de acordo com o usuário da sela. Mas o fundamental é que em primeiro lugar venha o conforto do cavalo.           De acordo com a função, os eqüinos enquadram-se nas categorias serviço, passeio ou esportes. No seu biótipo e condição física, um cavalo pode ser magro, gordo, alto, baixo, brevelíneo, mediolíneo, longelíneo, forte ou débil na sua estrutura ósseo-muscular. Na conformação, poderá ter cernelha alta ou baixa; espáduas verticais ou bem inclinadas; Dorso-lombo bem dirigido, mal dirigido, bem sustentado ou mal sustentado. Vejamos alguns exemplos práticos. O Puro Sangue Inglês, de conformação esguia, sendo um especialista nas corridas de fundo, exige sela mais leve (tipo inglesa). Já o cavalo Quarto de Milha, de musculatura volumosa, trabalha com uma sela mais pesada, de cabeça e ombros salientes, para facilitar o desempenho do cavaleiro em provas diversas (Laço, Apartação, Três Tambores, dentre outras). O cavalo Árabe é montado com sela Inglesa, Western ou a Australiana, dependendo da atividade. As raças de cavalos de marcha utilizam selas conhecidas como Mineira e Paulista, ou a própria sela Australiana, que é um padrão universal. Não importa o modelo ou tipo de sela a ser adquirida. O que se deve fazer é comprar uma sela que primeiro traga conforto ao cavalo e ao cavaleiro. Para isso é preciso ter um conhecimento da estrutura corpórea do animal em seus mínimos detalhes como: Forma e comprimento de cernelha, comprimento dorso-lombar e sua cobertura muscular. Quando tratamos de uma sela para um animal de cavalgada e trabalho em fazenda, precisamos de uma sela de boa qualidade que não cause pisaduras e que seja forte. Mas quando estamos falando em sela para um animal de concurso de marcha, deveríamos ter o mesmo profissionalismo dos proprietários dos animais de corrida, de salto e de hipismo clássicos, onde os arreamentos são feitos sob medidas, para que não haja um desgaste físico a mais, devido ao desconforto causado pelo arreamento que não tem a forma anatômica compatível com o animal. Para testar as selas já existentes, basta analisar o dorso lombo do animal assim que se tira a sela. A marca deixada de uma sela que encaixou certa no dorso é somente a marca do suor com o desenho da sela. Mas a marca deixada por uma sela que não tem a forma anatômica ideal a aquele animal, é como se ela entrasse na massa muscular, ela deixa uma marca funda no arqueamento das costelas ou outras. Para que a sela não tire o equilíbrio do animal e não cause ferimentos ou desconforto ao animal, esta deverá estar bem assentada com uma manta de boa qualidade e adequada ao tipo de sela. A cilha bem apertada e a barrigueira justa para que sela não se mova do local posto. É de fundamental importância o uso da barrigueira.A Sela precisa ser o perfeito instrumento de comunicação entre cavalo e cavaleiro.

Posição do cavaleiro

A posição do Cavaleiro montado, é muito importante para que ele consiga ligar-se aos  “movimentos do cavalo” e não fazer de suas articulações, ponto de atrito com o cavalo.

Um cavaleiro que pratica uma boa equitação tem todas as condições de desenvolver a funcionalidade de seu animal, pois nas pernas está o melhor comando.A postura tem muito a ver com toda a capacidade de o cavaleiro, natural e descontraidamente, envolver com as faces internas das coxas, dos joelhos e das barrigas das pernas, à arcada torácica do animal. Tudo isto a partir do dorso, no qual não pode sentar-se, mas sim descer enforquilhando-se. As coxas, devem também descer próximo da vertical, mas não tanto que os ossos das nádegas saiam do fundo do arreio, assim, garantir  um joelho bem descido, tão importante na montaria, bem como uma correta localização da barriga da perna, indispensável no emprego eficaz das suas ajudas. O joelho deve ficar ligeiramente flexionado por forma a que o pé, visto de lado, se mantenha sob o centro de gravidade do cavaleiro. Esta flexão será facilitada se o comprimento dos estribos for o necessário e o suficiente. Estribos compridos levarão o cavaleiro a uma posição demasiado enforquilhada, com as pernas excessivamente esticadas, o que leva os ossos das nádegas a saírem do arreio e a perda de estabilidade.Estribos sistematicamente curtos resultam por sua vez, numa posição sentada com o assento fora do fundo do arreio, porque recuado. Além disso, se as pernas fugirem para diante, como geralmente acontece, perderão toda a sua eficácia e teremos a habitual contra-equitação, feita de diante para trás com excesso de mãos e escassez de pernas. O atraso do assento, em relação à vertical imaginária do centro de gravidade do conjunto cavalo-cavaleiro, impossibilita a devida utilização elástica e ativa da cintura, originando, para além do tristemente habitual "bater sola" a trote e a galope, toda uma tendência para "ficar para trás" em relação a qualquer movimento mais enérgico ou inopinado do cavalo.

Digamos que, como regra na posição normal, os estribos devem utilizar-se tão compridos quanto possível, sem comprometermos a nossa estabilidade e a nossa comodidade. As pernas propriamente ditas, (do joelho para baixo) devem ficar levemente inclinadas para trás, a partir do joelho, formando com as coxas, um ângulo que depende do seu comprimento e por forma a que, o interior das barrigas das pernas, mantenha um contacto suave com o bojo do cavalo. Isto significa que a perna cairá logo atrás da cilha, de modo que, o calcanhar possa completar a tal vertical imaginária orelha-ombro-anca-calcanhar.

Os pés devem pisar naturalmente nos estribos, calçando as soleiras um pouco antes da maior largura da sola, sem abrir demasiado os bicos, por forma como se disse antes, manterem-se quase paralelos ao cavalo. Em movimento, os tornozelos descontraídos, devem refletir consoante, o maior ou menor peso que o cavaleiro põe nos estribos, mas por forma a que, os calcanhares se mantenham como ponto mais baixo do seu corpo. Pontas dos pés contraídas e viradas para fora, é uma grave incorreção a evitar, tal como os calcanhares esmagados, por excessivamente descidos. Grave, não tanto pelo pé em si, mas pelo que revela de um mal que vem de cima, com as nádegas almofadando o assento, as coxas apoiadas pela face traseira, os joelhos abertos. O tronco deve estar aprumado, tanto visto de lado, de trás ou de frente, tendo o cavaleiro a preocupação de se manter centrado sobre o eixo longitudinal do cavalo e da sela. O ponto de partida para acertar o comprimento dos estribos, é o comprimento do braço. Coloca-se o estribo na axila direita seguro pela mão esquerda, estica-se o braço sobre loro e coloque o dedo na argola ou passador do loro e, regula-se o loro.

Acompanhar o Dorso: Sentar-se aprumado, não quer dizer de maneira forçada ou tensa. Os músculos do tronco devem estar com a tensão apenas suficiente, para manterem uma estabilidade elástica e, não uma rigidez que impeça todo o corpo de participar do movimento. Isto implica uma bacia que siga, ou acompanhe o movimento do dorso do cavalo a partir da cintura, mas nunca permitir perder o acento, como se faz com animais de trote na prática do hipismo. O que equilibra e, dá segurança ao cavaleiro, são somente suas pernas. Diz-se então, que o cavaleiro acompanha o cavalo com o assento, isto é, com a decisiva região de charneira e, amortecimento que inclui a cintura, as ancas e as coxas. Trata-se de executar sucessivos e alternados tensionamentos e relaxamentos dos músculos do tronco, costais e abdominais, que se tornam mais ou menos automáticos, mas com energia ou tensão variáveis, consoante a situação presente e a intenção imediata. A cabeça deve manter-se naturalmente levantada e olhando em frente, por cima das orelhas do cavalo. Espetar ou encolher demasiado o queixo prejudica toda a descontração do tronco e, com ela, a capacidade do cavaleiro acompanhar o movimento do cavalo. Os ombros na sua postura natural e sem qualquer tensão, devem recuar ligeiramente, apenas o suficiente para salientar um pouco o peito. Os braços devem cair soltos a partir dos ombros, mas ligeiramente à frente da vertical. Os cotovelos e os antebraços roçam apenas o tronco. Apertá-los, leva a subir os ombros o que tira toda a suavidade à ação das mãos. Afastá-los ("abrir as asas") prejudica o apoio no assento e com ela, toda a independência das ajudas.

Embocaduras: A boca do cavalo é um agente de transmissão das ordens do cavaleiro; quando a boca está contraída, não é possível ter grande ação sobre a massa do cavalo.Existe no mercado uma infinidade de embocaduras, são tão parecidos, que um principiante pode até achar que é tudo a mesma coisa. Mas não é. São produzidos modelos para cavalos que atendem facilmente a um comando e outros apropriados para animais mais teimosos. Os proprietários de um modo geral desconhecem a importância, as qualidades e as funções de uma embocadura.

Freios e bridões: São três os tipos básicos de embocadura: bridão, freio e freio bridão. Mas existem centenas de variações que nasceram conforme a necessidade de cada um, criadas pela falta de habilidade do cavaleiro, ou pela má conformação do cavalo. As diferenças das embocaduras se baseiam no tipo de ação.De um modo geral, o bridão é a embocadura mais suave e, também a mais antiga já encontrada, inclusive entre os romanos do século I, muito parecida com a forma atual. Ele age na comissura labial, nas barras (espaço entre os molares e incisivos) e sobre a língua.Geralmente, pode se dizer que quanto mais fino um bridão, mais severo, pois é mais semelhante a uma lâmina. Por sua vez, os bridões torcidos, serrilhados ou de fabricação grosseira, mesmo quando grossos, podem machucar o animal.Os bridões extremamente grossos podem ter as seguintes desvantagens: se forem maciços, serão pesados e, portanto, farão muita pressão; se forem grossos demais, impedirão que o cavalo feche a boca direito, deixando-o incomodado e com a boca seca.Entre as formas de bridões mais comuns, está o de argola solta, do qual um bom cavaleiro pode tirar muito proveito, mas pode beliscar a boca do cavalo, exigindo em alguns casos o uso da borracha. Por outro lado, o "D" e, o de corrida, perde um pouco da ação, mas para a maioria dos cavalos, funciona bem e dispensa o uso da borracha. Existe também o bridão agulha, ou de vara, que tem uma "perna" na lateral, que ajuda o cavalo a entender os comandos de curva.

Ao escolher um bridão, procurar sempre começar com o mais leve. Muitas vezes, o cavalo está reagindo contra a embocadura, querendo disparar, por ela ser forte demais, e não ao contrário. Em termos de altura do bridão na boca do cavalo, geralmente 2 ou 3 pregas na boca, indicam o tamanho correto da cabeçada.As embocaduras devem ser de boa qualidade; adequados para cada tipo de animal. Quem escolhe o freio ou bridão, é o próprio cavalo, pois é ele quem vai usar e demonstrar sua aceitação. Através da reação e ação, o cavaleiro saberá distinguir o que o cavalo acertou, às vezes será no mais velho e enferrujado, que aparentemente estava fora de moda..Mantenha sempre a embocadura que seu animal sinta bem com ela e está acostumado a utilizar, pois a troca deste equipamento pode prejudicar a qualidade do andamento, além de poder ferir o acento e fazê-lo bater cabeça. A freqüente utilização da mesma embocadura, (freio e/ou bridão) permite a formação de “calos” de acomodação. Ás vésperas, ou durante uma exposição, nunca mude a embocadura. O preço que se paga pode ser alto, talvez o trabalho de meses para alcançar um objetivo pode ser perdido.Quando colocamos o bridão pela primeira vez, tanto nos muares, como nos cavalos, alguns adquirem o hábito de passar a língua por cima do bocal, isso faz com que o mesmo perca à ação. Para tirarmos este vício, é preciso que amarre um cordão com uma laçada nos dois bocais saindo pelas comissuras labiais e amarradas à focinheira ou amarrar no chanfro do animal. Isso faz com que o bocal una ao palato (céu da boca) impedindo a passagem da língua por cima. 

Salivação

A saliva é liberada por glândulas salivares, encontradas na região bucal, mais propriamente na região inferior da língua. Quando algum alimento entra em contato com a língua, milhões de células produzem a sensação de paladar, ditando instintivamente o que vai ser aceito ou não, como alimento pelo animal. Mas para a maioria de nós, a preocupação com uma boa salivação reside no fato desta influir na boa maneabilidade do cavalo, com uma correta adaptação do animal ao freio ou bridão. Devido à sua forma anatômica, o bocal faz com que a língua, toque o metal de que ele é feito, produzindo assim uma resposta, em forma de produção salivar, de acordo com a maior ou menor sensibilidade de cada animal.A utilização de artifícios tais como, roletes ou espiras de fio de cobre, são muito utilizadas pelos vários fabricantes de freios e bridões. Para a falta de salivação, o melhor caminho está na utilização de bocais, que induzam esta característica no animal, seja pelo formato (bocais que tenham uma área maior em contato com a língua), ou seja, pelo material empregado. Para os freios de aço inox, o melhor é que tenham inserido ferro ou latão, preferencialmente o primeiro.

Preparo de um marchador

O principal item para o preparo de um marchador é, a embocadura correta, posição e sensibilidades nas mãos.  Com certeza, esta é a “chave secreta” da equitação. Começando de preferência, por uma discreta flexão dos dedos, como que espremendo as rédeas, seguida se necessário, de uma ligeira flexão do pulso para dentro ou para fora, para cima ou para baixo, procurando não mexer com os braços. Aprender e ensinar o cavalo ser condicionado pelas pernas e pela voz.“A grande dificuldade de Equitação não é aprender a servir das rédeas, mas, sobretudo aprender a ignorá-las, ou ao menos delas servir muito pouco” (Gustave Le Bon) Professor Francês de equitação clássica. Não é possível obter uma passada larga, sem deixar que o cavalo tenha uma grande liberdade de pescoço e cabeça, de modo que o possa colocar baixo e estendido, permitir-lhe as suas características oscilações. Para forçar o cavalo a alargar o passo, o cavaleiro deve permitir-lhe uma completa extensão de pescoço, para isso temos que usar uma focinheira, um bridão ou mesmo um freio leve, dar liberdade de rédeas ao cavalo para que ele solte seu andamento, alargando suas passadas de acordo com seu potencial. Só podemos melhorar comodidade, colocar estilo e boa colocação de pescoço, quando o cavalo já atingiu um bom desenvolvimento, já encartou no andamento avante desejado. Subir e descer em linha reta, em um morro forte e ao passo, é o exercício ideal para  equilibrar o cavalo,  este exercício cria musculatura interna na coxa e faz com que as pernas abram  corretamente, além de melhorar as angulações dos jarretes e levantar a garupa. Nas descidas, praticar paragens freqüentes e prolongadas; descidas e paragem obrigam o cavalo a entrar fortemente com os curvilhões para debaixo da massa, a agüentar-se com os anteriores sob a antemão e a produzir um esforço muscular grande de posteriores.A estabilidade é permanente; o equilíbrio é um estado sem cessar variável e que não vale senão na medida para a duração da entrada dos posteriores abaixo da massa. Esta entrada dos posteriores é, pois o ponto crucial do cavalo de sela. O equilíbrio da marcha e o bom desenvolvimento são à entrada dos posteriores para debaixo da massa. Um cavalo com boas espáduas, braços longos, fortes e com boa angulação, poderá ter um bom desempenho dos anteriores, mas com curvilhões fracos e angulações que não permitam a fácil entrada dos posteriores, nunca poderá ser um grande marchador, pois não terá um bom desempenho na impulsão e propulsão. Um bom exercício para alongar o andamento são as descidas fortes e longas, descer em velocidade, porém sem deixar entrar no galope. Este exercício faz com que os membros anteriores adquiram elasticidades, forçando os antebraços a sair debaixo da massa, melhorando os movimentos alçados e de pouco rendimento. Trabalhar o cavalo em círculos no tambor, ou em forma de oito, em círculos curtos e longos, é um processo que faz alongar e equilibrar o andamento. Este exercício, fortalece a musculatura de pernas, braços e espáduas, melhora a flexibilidade na dissociação, equilibrando a troca de mãos na curva do cone ou tambor, mantendo a regularidade do  andamento. No encurtamento do andamento, deve-se procurar obter uma diminuição da passada, sem diminuir a cadência nem a impulsão. Nos alongamentos, deve-se procurar o alargamento da passada e não a sua precipitação. A aceleração e o encurtamento dos andamentos devem ser feitos progressiva e suavemente, sem deixar que aconteça a troca do andamento. Outro bom exercício para aprimorar a marcha, é trabalhar o cavalo nas balizas. Colocar balizas de quatro em quatro metros no meio da pista, de cinco em cinco voltas, virar pelo centro da pista, entrando novamente nas balizas. É também uma ótima forma de acertar o cavalo com o comando das pernas. O tempo de trabalho do marchador deverá ser dividido em dois horários: manhã e tarde.  O cavalo cansado, sentindo dores nas articulações, tendões e dorso, não corresponde ao treinamento, desanima, perde o reflexo, a cadência e não responde o que lhe é cobrado. Comece com 20 minutos em cada tempo, de 8 em 8 dias, vá aumentando o tempo, até atingir o ideal que seria  40 minutos por tempo. Neste condicionamento, o animal estará preparado para qualquer prova. Mas não se pode esquecer que um cavalo de provas, deve ser bem tratado com: ração balanceada, bom feno, vermífugo, sal mineral, vitaminas, e estar com suas angulações ideais. O que causa o desgaste físico e mental? Pedir demais a seu cavalo por períodos prolongados de tempo pode levar a quedas no desempenho, desmotivação e resistência, independentemente da idade do animal. Cada ano deveria o criador planejar os concursos a serem participados com seus animais de marcha, junto ao seu Peão e ao Veterinário, para que se faça um programa de trabalho progressivo. Com exercícios de morro, redondel e treinamento de marcha, com intervalos de descanso, avaliação dos aprumos, articulações e tendões. Sempre existe um objetivo a ser alcançado, um Título Nacional de Marcha, uma Copa que vale um carro, etc. Todo cavalo tem o seu limite, ele é um atleta, aí é que entra o mérito do Peão, conhecer e respeitar este limite. O "pico" do desempenho de cada cavalo, uma vez atingido, não é eterno, mas decresce depois de certo período. Os treinadores mais bem-sucedidos são aqueles que melhor sabem fazer acontecer estes picos, em função do concurso desejado. Nunca exigir o máximo durante todo o ano, saber dosar o cavalo, tanto em casa como nas competições de menores importâncias, para que na hora precisa, o seu cavalo tenha pernas para impor um ritmo forte de um verdadeiro campeão. O "esforço 100%", significa que o animal se encontra no fio da navalha – tanto mental como fisicamente. Se ele for mantido neste ponto por tempo demais, as coisas começarão a dar errado. O cavalo de concurso de marcha pode ser mantido em seu melhor desempenho, mas se em qualquer momento a atitude mental apática ou a queda do desempenho físico do animal, denunciar que ele já está no processo de ficar estressado, é correto diminuir o ritmo durante algumas semanas e, depois voltar a procurar atingir o nível esperado. Isto pode ser feito através de um retorno aos exercícios elementares, sem pedir que o cavalo trabalhe em patamar competitivo.       Se os criadores adotassem este critério de trabalho, certamente os resultados viriam e teriam seus animais em condições de competição por vários anos. O que infelizmente não tem acontecido com os grandes marchadores que temos visto, aparece bem e logo desaparecem das pistas ou se transformam em animais comuns de andamento ou como simples participantes.

 

 

Por: Marco Antonio Chaves

Instrutor do Senar em Aparação de Cascos e Ferrageamento,  Preparação e Apresentação de Animais em Pista.

 

 
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ABCJPÊGA
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ABCCMM
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