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REPRODUÇÃO NOS EQÜÍDEOS - Pedro Gama Ker - Veterinário |
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O ramo da equideocultura é um dos segmentos do agronegócio que mais cresce no Brasil, promovendo assim um aumento da demanda por animais de alto valor genético. Para isso, devemos realizar um bom manejo reprodutivo e lançar mão de algumas biotecnologias da reprodução que possibilitam a maximização de reprodutores e assim obtendo produtos de melhor valor.
O êxito na reprodução eqüina depende de conhecimento da anatomia reprodutiva, fisiologia, endocrinologia, conduta de criação, seleção dos reprodutores, prevenção e tratamento de doenças e manutenção de registros completos e precisos. Esse conhecimento nos permite uma melhor comunicação com os criadores e funcionários que lidam no dia a dia com os animais.
Um manejo reprodutivo bem sucedido requer um sistema confiável de detecção de estro (cio), precisão no momento da ovulação, monta natural ou inseminação artificial (IA) que deposite um número suficiente de espermatozóides viáveis no local da fertilização, boa higiene na cobrição/IA para evitar a transmissão de doenças reprodutivas, manejo nutricional adequado e bom gerenciamento de registros.
As éguas são animais poliéstrais estacionais, ou seja, apresentam sazonalidade reprodutiva, com cios concentrados nos períodos de maior luminosidade, que na nossa região vai de setembro a março. A duração do dia é o fator determinante para estimular a sazonalidade em nossa região, onde a maior quantidade de luz vai atuar no sistema endócrino da égua desencadeando a liberação de hormônios que estimulam a atividade ovariana.
O ciclo estral na égua tem duração média de 21 dias, com duração do cio de 3 a 7 dias e ovulação de 24 a 48 horas antes do final do cio. O diâmetro do folículo ovulatório é, em média, de 40 a 45 mm, mas pode variar de 30 a 60 mm (variações entre as raças). Sendo assim, é de grande importância o conhecimento desses eventos, pois muitas vezes éguas são cobertas/inseminadas após a ovulação porque apresentam sinais de cio. Se a égua for coberta de 12 a 24 horas após a ovulação, o ovócito será muito velho para ser fertilizado ou, se fertilizado, falhará ao desenvolver um embrião viável.
Outro fator a ser considerado no manejo de coberturas/IA´s é a viabilidade do sêmen no aparelho reprodutivo da fêmea. Os espermatozóides podem permanecer viáveis por até 48 horas após a cobertura. Assim a cobertura/IA das éguas deve ser realizada a partir do terceiro dia do estro (onde normalmente os folículos apresentam tamanho superior a 3 cm) e a cada 48 horas, fazendo com que hajam espermatozóides viáveis no momento da ovulação. As coberturas/IA´s devem ser feitas até o final dos sinais de estro (quando não se tem controle da ovulação pelo Médico Veterinário) ou até a detecção da ovulação.
Para facilitar o manejo e melhorar a eficiência reprodutiva deve-se fazer uma rufiação eficiente. Onde a correta detecção do inicio e do término do cio, vai indicar os melhores momentos para a realização das coberturas/IA´s. A rufiação também pode servir como auxílio no diagnóstico de gestação, pois éguas que retornarem ao cio após a cobertura, na maioria das vezes não estão prenhas.
Das biotecnologias mais utilizadas na atualidade podemos citar: inseminação artificial com sêmen fresco, resfriado ou congelado, transferência de embriões, congelamento de sêmen e embriões. Estas biotecnologias maximizam o uso dos reprodutores (garanhões e éguas), permitindo o maior número de descendentes de animais de alto valor genético, a redução no custo do transporte dos animais, melhoria no controle de doenças sexualmente transmissíveis, os reprodutores podem desenvolver outras atividades durante a estação de monta e possibilita o uso de animais já mortos. Além disso, hoje temos o auxilio da ultrassonografia para melhor avaliação do aparelho reprodutivo e sexagem de embriões.
Porém, para que tenhamos um maior sucesso com o uso dessas biotecnologias devemos fazer uma seleção correta dos reprodutores, não só por características zootécnicas desejáveis como conformação, andamento e velocidade, mas também devemos selecionar por características reprodutivas, o que vai nos garantir descendentes mais férteis. Cabe aos técnicos, criadores e funcionários envolvidos na área fazer uma correta seleção desses animais para no futuro termos animais belos, funcionais e bons na reprodução. Isso vai agregar um maior valor aos nossos animais, aqui e no exterior, fomentando ainda mais o agronegócio do cavalo, gerando mais divisas para todos.
Pedro Gama Ker
Médico Veterinário – CRMV-MG 9142
Mestrando em Reprodução Animal – DZO-UFV
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