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EQUITAÇÃO X CAVALOS MARCHADORES - Mário Alino Barduni Borges |
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EQUITAÇÃO X CAVALOS MARCHADORES
A IMPORTÂNCIA DA EQUITAÇÃO NO TREINAMENTO DO CAVALO MARCHADOR
Mário Alino Barduni Borges *
Quando argumentamos a favor da necessidade de incorporação de técnicas corretas de equitação no programa de iniciação e treinamento dos cavalos marchadores, estamos valorizando o conceito de que a mesma nos possibilitará explorar ao máximo as potencialidades do animal, com ganho de eficiência e conseqüente redução do esforço físico despendido. Um cavalo que tenha o seu trabalho embaçado nestes preceitos, permitirá ao treinador condiciona-lo sob todos os pontos de vista (técnico, físico e psicológico), levando-o progressivamente a executar de forma correta e com satisfação, todas as tarefas solicitadas.
Ø CONDICIONAMENTO TÉCNICO: Para que um cavalo marchador possa ser considerado bem condicionado sob o ponto de vista técnico, ele necessitará demostrar algumas características que nos permitam avaliar e comprovar o seu “grau de adestramento”. Para tanto, deverá se apresentar calmo, de ações suaves e respostas imediatas, trabalhando bem alinhado em relação ao seu eixo longitudinal, com movimentos simétricos, sem distorções laterais, reto nas retas e ajustado nas curvas e principalmente apresentar boa impulsão ao ser solicitado através das ajudas de perna.
Desenvolvendo-se no animal estas características, somente alcançadas através da incorporação das técnicas corretas de equitação no seu programa de treinamento, ele estará apto a executar satisfatoriamente algumas “manobras” consideradas básicas para um cavalo de sela verdadeiramente funcional, a saber:
ü Romper ao passo / marcha;
ü Executar o passo livre;
ü Executar o alto no passo e na marcha;
ü Executar transições ascendentes e descendentes;
ü Alongar e encurtar o ritmo de suas andaduras naturais (passo, marcha e galope);
ü Executar mudanças de direção;
ü Executar as saídas para o galope no pé correto (direito e esquerdo);
ü Executar a troca de pé ao galope;
ü Executar o esbarro ao galope;
ü Executar o recuo.
Ø CONDICIONAMENTO FÍSICO: Ao optarmos por adotar as técnicas corretas de equitação no treinamento do cavalo marchador, passamos a submete-lo a uma ginástica metódica e funcional anteriormente inexistente, o que lhe propicia a aquisição de qualidades físicas importantes no seu processo de condicionamento. Através da realização das sessões de “flexionamento”, o cavalo desenvolve além do seu condicionamento cardiorespiratório, um alto grau de melhoria na sua flexibilidade articular e sua elasticidade muscular, haja visto que tal trabalho se baseia principalmente na necessidade de um cavalo com tais características, caso contrário os mesmos não teriam condições de executar as “manobras” anteriormente citadas e com o nível de eficiência desejado.
Outro ponto importante a ser salientado é o de que nesta metodologia, o cavalo passa a ser trabalhado e exigido em todas as suas andaduras naturais (passo, marcha e galope). Tal procedimento lhe possibilita um desenvolvimento muscular mais harmonioso do que o anteriormente observado, pois desta forma ele passará a utilizar-se de grupos musculares que não lhe eram solicitados quando da adoção quase que exclusiva da marcha em suas sessões de treinamento.
Ø CONDICIONAMENTO PSICOLÓGICO: Em relação a esta característica, é nítida a melhoria que a adoção das técnicas corretas de equitação promovem na evolução do perfil psicológico do animal. Com a aplicação correta da “linguagem das ajudas”, o cavalo passa a ter um melhor entendimento das solicitações do cavaleiro, pois as mesmas ocorrem de forma sutil e coerente, estimulando-o a ser sempre cooperativo. Desta forma, se consegue sistematicamente desenvolver um maior controle e domínio da montaria, pois optamos por nos servir de recursos mais técnicos em detrimento à imposição pela força bruta.
Sendo possuidor de uma bagagem mais ampla de conhecimentos, o treinador passa a valorizar e observar mais a individualidade do animal, adequando para cada caso específico um programa personalizado de treinamento. Agindo desta maneira, vamos procurar sanar as deficiências apresentadas através da adoção de uma sequência sistemática de ações com o intuito primordial de não despertar nenhum mecanismo de defesa no animal. Assim sendo, podemos ter a certeza de que conseguiremos alcançar os objetivos propostos sem o risco de estressar ou saturar a nossa montaria por conta de treinamentos extremamente repetitivos e maçantes.
Com base nestas reflexões, podemos seguramente chegar a conclusão de que o incentivo à adoção das técnicas corretas de equitação nos programas de treinamento do cavalo marchador só tem a contribuir para a evolução do nível de apresentação e utilização de nossos animais. Para atuarmos desta forma, necessitamos investir mais na formação técnica de treinadores, apresentadores e usuários, o que sem sombra de dúvida representaria um grande salto para a evolução deste animal que tanto apreciamos, o cavalo marchador cômodo, equilibrado e de boa impulsão, resultando como dito anteriormente em um cavalo de sela verdadeiramente funcional.
* O autor é professor de Educação Física da Universidade Federal de Viçosa, Árbitro de Marcha, Proprietário, Treinador e Instrutor de Equitação do CENTREQUE - Centro de Treinamento Eqüestre da Chácara Santa Rita, localizado na cidade de Viçosa / MG.
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